O que quero dizer...
... a música, a palavra, a imagem, o pensamento... O que quer que seja... que eu quero dizer ...ou que alguém já disse por mim... Tenho os olhos na ponta dos dedos para te contar histórias...
Domingo, Março 26, 2006
Sábado, Março 25, 2006
Para quem sabe e me sente ao ler isto
Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
(Alexandre O'Neill)
Sexta-feira, Março 24, 2006
A vida deve ser bebida
Estou
E num breve instante
Sinto tudo
Sinto-me tudo
Deito-me no meu corpo
E despeço-me de mim
Para me encontrar
No próximo olhar
(...)
nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz e a poeira
A vida (ensinaram-me assim)
Deve ser bebida
(Mia Couto)
Quinta-feira, Março 23, 2006
Pequenos momentos
Quando nada nos conhece.
Só tu e eu.
Quando as palavras se trocam nos silêncios, nos gestos, nos gritos...
Quando chegamos sem tocar;
Quando estamos e mesmo assim sentimos longe;
Quando somos o percorrer do outro.
Quarta-feira, Março 22, 2006
Dois lados do mesmo adeus
Caem como folhas
Lágrimas no seu rosto
Suavemente descem
Deixam-lhe o desgosto
Entre dois suspiros
Sopro-lhe na face sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar
Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
Nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar
Esse choro triste
Desespero seu
P’ra tentar dizer
Nada se perdeu
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante
(Dois lados do mesmo adeus - Donna Maria)
Terça-feira, Março 21, 2006
TU
Uma porta que se fecha num futuro que se perde
Com promessas que se esquecem de um amor que já não serve
E na porta que se abre há um mundo de loucura
Onde só a atenção é o remédio que cura
Foi coisa do destino que nos cruzou
Foi coisa do destino que nos juntou
Esta vida são dois dias... É o que levamos daqui
E já passou tanto tempo...
Para estar ao pé de ti
Vou dar cada segundo
Usar cada beijo teu
Seguir as tuas palavras
Seres a estrela do meu céu
(GIG)
Segunda-feira, Março 20, 2006
Correr
O tempo passa a correr.
Corro.
Apresso o tempo.
Para chegar onde?
Para chegar a quem?
Para escapar do quê?
É cansaço...
É aperto, por vezes...
É querer e não querer
É querer e não ter
É ter e não querer mais
Corro.
Apresso o tempo.
Sei que há sempre um final.
Mas também sei que há sempre um momento.

